4 razões para ler A Trilogia de Nova York

E foi assim, sorrateiramente, que o bendito do Paul Auster entrou na minha vida literária. Comprei um livro usado de Viagens no Scriptorium e fiquei tão fascinada com a escrita e o enredo aberto que fui caçar um exemplar de uma de suas obras mais aclamadas: A Trilogia de Nova York.

A história é tudo o que você pode esperar do autor, embora eu não imaginasse que fosse encontrar uma narrativa tão densa. Mais do que um livro sobre detetives, deparamo-nos com reflexões e dilemas envolvendo a vida, bem como as ações que adotamos e os remorsos que alimentamos a cada erro que cometemos.

Listei quatro motivos para dar uma chance à série de romances. Embora não seja uma leitura fácil, vejo razão para indicar, principalmente por conta da evolução dos personagens.

1. Investigação

Capa de Cidade de Vidro, primeiro volume da trilogia

Já contei que existe detetive envolvido, mas não é bem assim. Nosso protagonista em Cidade de Vidro é, na verdade, um escritor de romances policiais. Quando recebe uma ligação confundindo-o com outra pessoa, ele decide embarcar em uma aventura investigativa que poderá servir de inspiração para a sua próxima história.

Conforme o escritor (o personagem, não o autor) descobre novas pistas, ele se vê cada vez mais dominado pelo caso – a ponto de terminar a investigação se sentindo uma pessoa completamente diferente do início da jornada.

Parte de trás de A Trilogia de Nova York, com o mapa do Central Park

2. Histórias interligadas

Dizer que as histórias são interligadas parece meio óbvio, já que se trata de uma trilogia. Com Auster, no entanto, as coisas costumam ser um pouco mais complicadas.

O mais legal da obra é a maneira como o autor decide conduzir a trama, pois nada nos é entregue logo de cara. É tudo no tempo dele, que consegue ser tão minucioso e intencional com cenários e ações que chega a mexer com nossa memória. A gente tende a esquecer de personagens do primeiro volume apenas para que possam ressurgir no ápice do enredo, munidos do fator surpresa.

3. Autor-personagem

Esta é uma das características mais legais d’A Trilogia de Nova York: o autor vira um personagem! Acho que somos sempre surpreendidos quando isso acontece, mas senti uma intenção diferente por parte de Auster.

Orelha com (brevíssimas) informações sobre o autor

O autor é o que ele escreve, certo? Não neste caso. O Paul Auster da história é tão distinto do Paul Auster escritor – ou, pelo menos, de como imagino que Paul Auster seja – que me senti na presença de um pilantra.

4. Reviravolta

Um livro de suspense precisa ter uma reviravolta que faça o leitor perder a cabeça pelos momentos finais.

A Trilogia de Nova York nos entrega um desfecho tão mirabolante que é até confuso. Mas poderíamos esperar menos de um livro do escritor?

O Quarto Fechado, volume que encerra o livro

Gosto do ar de desafio que cada obra do Auster carrega. Esta leitura não poderia terminar de outro jeito. Densas e provocativas, as últimas páginas entregam a resposta, mas deixam a marca registrada de qualquer livro dele: a dos desfechos abertos.

Publicado por Diana Cheng

Jornalista, 23 anos. Adora passar horas perdida na narrativa de um bom livro. Além de ler, também se arrisca em escrever textos aleatórios e poemas sentimentais.

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