Tempos de releitura – e de perder o medo

Pensei bastante em formas de começar a falar sobre uma coisa que tenho costume de fazer bastante, porém, sinto medo de me arriscar às vezes por achar que posso destruir boas lembranças. A solução que encontrei foi esta: um bate-papo.

Gosto muito de reler livros. Chego a terminar o ano com metade da lista formada por releituras. Mas ainda tenho um pé atrás com isso, a ponto de nem ter aberto o livro para saber que a experiência não será tudo aquilo que imaginava.

Parece conflitante. Na maioria das vezes, é mesmo.

Foi com muita relutância que iniciei a releitura dos livros de Divergente, uma trilogia até então cinco estrelas para mim. Acompanhei o boom das obras e do filme. Mesmo quando todo mundo ficou decepcionado com o desfecho da história, lá estava eu, levantando bandeiras para o fim heroico de Tris.

Meu maior temor foi descobrir que, de fato, a maioria das pessoas estava certa – as páginas finais foram muito decepcionantes para uma saga tão complexa.

É isso o que uma releitura faz com a gente. Nos coloca dentro de um conflito onde não queremos largar as nossas memórias afetivas e, no entanto, temos consciência de que crescemos com os livros que lemos e reformulamos muitas das nossas opiniões.

Decepções à parte, recordar a trama de Divergente mostrou ser uma grande surpresa para mim – e uma decisão feita em ótima hora.

Não só venci o “Monstro do Medo”, como também relembrei do que tanto gosto nos livros. Além do mundo distópico criado pela autora e seus desdobramentos, um ponto que continuo a defender é o relacionamento entre a personagem principal e o Tobias, que chega a ganhar mais espaço no último volume.

É neste ponto que eu falo que prefiro Divergente a Jogos Vorazes, outra trilogia que marcou minha adolescência e voltou com tudo depois que Suzanne Collins lançou A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes.

Jogos Vorazes continua sendo uma história bastante envolvente e muito querida por mim, mas acho que alguns elementos se tornaram muito enjoativos por estarem presentes em tantas outras obras. O triângulo amoroso é um deles.

Em Divergente, temos o drama típico de um casal de adolescentes, mas senti que Veronica Roth conseguiu salvar muitas páginas de uma fórmula demasiadamente usada por livros românticos e se dedicar ao que realmente importava: o mundo conflituoso das facções.

Parte do manifesto de Erudição, uma das facções de Divergente

Refleti demais e parece que só dei voltas. Mas estou com a energia renovada. E com o próximo livro para reler na mão.

Publicado por Diana Cheng

Jornalista, 23 anos. Adora passar horas perdida na narrativa de um bom livro. Além de ler, também se arrisca em escrever textos aleatórios e poemas sentimentais.

2 comentários em “Tempos de releitura – e de perder o medo

  1. Bom! Eu não costumo fazer releituras. Mas nesse tempo de isolamento eu quis me debruçar como você disse; ‘nas memórias afetivas que esse livro deixou marcado em mim’ quando li pela primeira vez ele era tudo que eu tinha, pois não estava tendo contato externo. Criei uma espécie de ambiente seguro para retornar depois dias exaustivos no trabalho. Foi uma experiência que nunca tive com nenhuma outra obra que durou uns 6 meses. Hoje eu me pergunto como conseguir, pois costumo compartilhar com amigos; passagens, temas, ideias, personagens. Eu tive medo de começar essa releitura. Mas maior é o medo de não revisitar essas obras nesse momento de incerteza que vivemos. Desculpe-me pelo comentário enorme. Obra em questão que comecei a reler é ‘Os Miseráveis’ do Victor Hugo.

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    1. Verdade, concordo que estamos vivendo um momento em que devemos aproveitar para revisitar certas obras… Li Os Miseráveis alguns anos atrás e também estive pensando em reler. Acho que vou aproveitar para fazer isso durante a quarentena 😊

      Curtido por 1 pessoa

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