As relações amorosas nas obras de Isabel Allende

Quem já leu um livro da Isabel Allende saberá do que estou falando; é quase impossível desassociar sua escrita bem feita com a intensidade das paixões que transformam, por ou bem ou por mal, a trajetória de um personagem em formação.

Muitas pessoas comparam a autora com Gabriel García Márquez pelo fato de também usar o realismo mágico em seus trabalhos, uma característica muito forte das obras do escritor colombiano. Por mais que seus livros me lembrem bastante das descrições ricamente detalhadas de Gabo, Allende tem um jeito único de falar sobre as relações amorosas – qualidade que nem mesmo um escritor tão bom quanto o autor de Cem Anos de Solidão poderia reproduzir.

Amor contém algumas ilustrações que separam as diferentes temáticas abordadas ao longo do livro

Não é só pelo olhar feminino da escritora peruana, e muito menos pela “delicadeza” de suas mulheres – de delicadas elas não têm nada. Allende realmente sabe colocar as medidas certas para construir um relacionamento baseado em companheirismo e amizade, como ocorre em Filha da Fortuna, ou em desejo e cumplicidade, visto em A Casa dos Espíritos.

Mas de onde vem tanta inspiração para construir casais que se amam, se odeiam, sentem ciúmes e vivem uma vida de saudades?

A proposta de Amor é justamente explicar as cenas amorosas de Allende por meio de relatos pessoais da própria autora: como sua descoberta sexual e a ideia de amar alguém moldaram as narrativas das histórias; e como as decepções e as inseguranças quanto a forma como se é amada em cada etapa da vida conseguiram influenciar até mesmo no destino de suas principais protagonistas.

Foto da escritora peruana Isabel Allende

A escritora compartilha suas experiências sem pudor, adotando um tom tão descontraído e engraçado que chega a ser embaraçoso para nós, leitores. Mas essa vergonha não nos impede de aproveitar os relatos, que mais parecem vir de uma sábia conselheira das paixões tanto momentâneas quanto duradouras.

No mais, Amor é uma ótima opção de leitura não só para quem deseja relembrar de algumas obras da Allende, mas também serve àqueles que procuram indicações de livros dela e não sabem por onde começar.

“Atreva-se a amar” escrito na parte de trás do livro

Gostaria de ter deixado essa coletânea para o futuro, confesso. Há muitas histórias da escritora que não cheguei a ler ainda. Mas nem por isso o livro me frustrou. Eu nunca tinha parado para imaginar de onde Allende extraía tanta intensidade para o que escrevia. Após o fim desta leitura, percebi que tudo isso – a emoção, o olhar sensível, as confissões a dois – é ela por inteira; seu relato amoroso particular com os homens e a literatura.

Publicado por Diana Cheng

Jornalista, 23 anos. Adora passar horas perdida na narrativa de um bom livro. Além de ler, também se arrisca em escrever textos aleatórios e poemas sentimentais.

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