The Graveyard Book, de Neil Gaiman

Quanto mais livros do Neil Gaiman eu leio, mais fico convencida de que seu nome não cairá no esquecimento. É claro que eu não me atrevo a chamar suas histórias de clássicos da fantasia (ainda não), mas elas certamente tiveram um papel importante em momentos diferentes da minha trajetória como leitora.

The Graveyard Book não é tão bom quanto O Oceano no Fim do Caminho, embora eu tenha enxergado um pouco do primeiro livro no segundo e vice-versa. A atmosfera da história também me lembrou o que tanto gostei em Coraline – o humor irônico, a curiosidade infantil e, principalmente, a sensação levemente arrepiante que os vilões de Gaiman conseguem arrancar de mim.

Uma família para além da vida

Um bebê consegue escapar do mesmo destino infeliz do restante da família e é adotado por nada mais nada menos do que um casal de fantasmas. Para garantir que o assassino dos pais não chegue à criança, os mortos decidem que ela passará a viver dentro das dependências do cemitério onde foram enterrados e terá uma nova identidade: Nobody Owens.

O cemitério já era uma comunidade, mas, para Nobody, que cresceu entre almas penadas e criaturas anciãs, existe um senso familiar muito forte entre os “moradores” que supera as diferenças de idade, os ideais opostos e até a morte.

Parte de trás do livro

Achei bem interessante a maneira como Gaiman desenvolveu a dinâmica do local e os perfis dos personagens, que, apesar do gap histórico, conseguem dialogar entre si e mantêm a história andando em um bom ritmo.

Nem vivo nem morto

Nobody me passou uma imagem incompleta, de quem conseguiu dar a volta por cima após uma série de infelicidades e, ainda assim, não tem tudo.

Isso fica bem evidente em sua busca desesperada por um amigo vivo, que cresça como ele e não esteja estagnado no tempo.

Sua sede por vida o tornou solitário, esquecido. Nobody fica entre dois mundos; nem vivo nem morto, de todos e de ninguém.

Com a história caminhando para seu desfecho – uma conclusão, aliás, muito emocionante –, o próprio leitor fica dividido, na torcida pelo garoto tanto no mundo fora do cemitério quanto ao lado da família.

Ler ou não ler?

Uma das ilustrações de Dave McKean

Embora simples e até bobo às vezes, The Graveyard Book mantém a mesma essência fantástica e sinistra dos livros infanto-juvenis de Gaiman. É leve e bem humorado quando quer, mas sem perder o ar intrigante e carregado.

Acredito que a versão em português venha com as ilustrações de Dave McKean também, que fazem toda a diferença para o livro, reforçando a aura mais sombria da leitura.

Para completar, o discurso proferido pelo autor enquanto recebia a medalha Newbery é inspirador demais para não ser mencionado. Suas palavras são uma homenagem às coisas boas que encontramos nas páginas dos livros e a todas as palavras que ensinam, amparam e transformam.

“Do you know what you’re going to do now?”, she asked.

“See the world”, said Bod. “Get into trouble. Get out of trouble again. Visit jungles and volcanoes and deserts and islands. And people. I want to meet an awful lot of people.”

Avaliação: 3.5 de 5.

Publicado por Diana Cheng

Jornalista, 23 anos. Adora passar horas perdida na narrativa de um bom livro. Além de ler, também se arrisca em escrever textos aleatórios e poemas sentimentais.

2 comentários em “The Graveyard Book, de Neil Gaiman

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