Crônica disfarçada: Clarice Lispector e a liberdade das palavras

Clarice Lispector tem o poder inexplicável de me fazer olhar para a vida com um misto de deslumbramento e melancolia.

Parece assustador à primeira vista, mas suas palavras me fazem pensar – mente e coração trabalhando juntos em uma busca incansável pela resposta mais importante de todas; e a única que não existe.

As crônicas da autora são o que há de mais autêntico na nossa literatura. Para chegar a essa conclusão, não precisei pesquisar muito; apenas senti.

Palavras finais da crônica Das Vantagens de Ser Bobo

Fiquei encantada pela sua visão crítica sobre as impressões imperfeitas do mundo recém-descoberto por seus olhos. Achei que tinha chegado ao ponto de compreender o que Clarice (vamos esquecer do Lispector, é formal demais) compreendia com os contos até perceber que seu olhar é invejosamente fragmentado – e, portanto, muito mais bonito.

A edição Clarice na Cabeceira reúne 20 crônicas escolhidas a dedo por leitores e amigos da escritora. Ela é duplamente especial por conter não só textos da autora, como também depoimentos pessoais desses leitores, lembranças tão íntimas e curiosamente parecidas com o jeito que Clarice escrevia que poderiam se passar por cartas abertas. De alguma forma, acho que são mesmo.

Crônica As Três Experiências, com apresentação de Lygia Fagundes Telles

O que mais gostei de toda essa experiência foi descobrir Clarice. Descobrir as partes que eu já havia descoberto tempos atrás com outras obras e descobrir um lado até então oculto – preciso, mas delicado; rude, mas dolorosamente compreensível. E, céus, bem-humorado! Quem diria que estava pronta para conhecer essa natureza rara e fascinante dela?

Palavras de Ferreira Gullar

As crônicas reavivam a memória eterna de Clarice. Porque a autora é a sua palavra, que, se depender de nós, fiéis admiradores, não morrerá nunca. Caetano Veloso disse, enquanto falava de O Mineirinho, que “Clarice era como conhecer uma pessoa”, e acredito que seja um pouco disso mesmo. Não, um pouco, não; é exatamente assim.

Publicado por Diana Cheng

Jornalista, 23 anos. Adora passar horas perdida na narrativa de um bom livro. Além de ler, também se arrisca em escrever textos aleatórios e poemas sentimentais.

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