Minha experiência (fracassada) com livros motivacionais

É normal priorizarmos certos gêneros literários sobre outros. Conhecemos nossos gostos e vamos consumindo o que parece ser uma aposta segura (até porque livro não é uma coisa barata).

Ao longo do último ano, tentei sair mais da minha bolha confortável e corri atrás de histórias que não chamariam a minha atenção à primeira vista. Li uns livros de suspense que me surpreenderam; também passei a procurar por mais recomendações de leituras de não-ficção, decisão da qual não me arrependo. Bem, da maior parte.

Eu tenho pavor de livros motivacionais. Sim, pavor. Meus traumas são antigos, datam desde o ensino fundamental, com Augusto Cury (de verdade, a escola tornou os trabalhos do autor obrigatórios por anos a fio; era tudo o que eu lia). Isso me fez manter distância de autoajuda ou qualquer coisa que se assemelhasse a esse tipo de texto.

Fiz mais tentativas. Aproveitei que ganhei alguns livros motivacionais e logo comecei a leitura de O Poder do Subconsciente, escrito por Dr. Joseph Murphy.

E funcionou?

Nem um pouco.

Trecho do livro O Poder do Subconsciente

Eu não tinha ideia do que esperar (acho que não esperava muita coisa), mas definitivamente não foi o que li. Imaginem a decepção. Imaginem a raiva.

Acho que este livro pode ter sido o fundo do poço para mim, pois sei que nem todos vão tratar da mesma temática e adotar uma abordagem similar. Meus problemas com O Poder do Subconsciente começam nos pontos defendidos pelo autor. Não concordei com muitos aspectos levantados por ele, principalmente com a maneira como olhava para os problemas da vida.

Trecho do livro O Poder do Subconsciente

A mensagem que o livro me passou foi: apenas pense muito no que deseja e garanto que isso virá até você. Ok, mas e o meio? E sobre trabalhar duro para atingir o desejo? A verdade é que nada é tão simples. Dizer que “a pobreza é uma doença mental” parece muito supérfluo e deixa de lado questões importantes que permeiam a dinâmica social.

A positividade também me veio como um baque. Porque simplesmente não podemos alimentar nossas mentes com boas energias o tempo todo. Somos feitos de diversos estados emocionais, incluindo desânimo e tristeza. Se ter sucesso é ser cem por cento feliz, isso quer dizer que deixei passar grandes oportunidades quando eu estava triste? Torço para que não seja isso.

Trecho do livro O Poder do Subconsciente

Gostaria de saber se todos os outros livros motivacionais levam o leitor a essas mesmas conclusões. Depois de O Poder do Subconsciente, fiquei com medo de descobrir.

Às vezes, tenho a impressão de que livros motivacionais não foram feitos para mim. Em outros casos, minha impressão, antes uma mera dúvida, vira certeza. Mas tenho procurado outras abordagens.

Gosto muito das propostas literárias que discutem sobre saúde mental, por exemplo. Alucinadamente Feliz, embora não se encaixe em autoajuda, é realmente “um livro engraçado sobre coisas horríveis”. Cumpre o que promete e nos entrega uma lição valiosa sobre como nossa mente é odiosamente, estupidamente e incrivelmente complexa.

Dentre tantos fracassos, seria Alucinadamente Feliz uma exceção?

Publicado por Diana Cheng

Jornalista, 23 anos. Adora passar horas perdida na narrativa de um bom livro. Além de ler, também se arrisca em escrever textos aleatórios e poemas sentimentais.

6 comentários em “Minha experiência (fracassada) com livros motivacionais

  1. Também compartilho do seu sentimento kkkkk Não gosto da maioria dessas abordagens, principalmente quando tratam “pensamento positivo” e “boas energias” como a solução para tudo e esquecem que o contexto de vida faz total diferença…

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  2. Bah, eu li vários livros do Augusto Cury na época da faculdade e, cansei… Também tinha dado um chega pra lá nos motivacionais e auto-ajuda e, inclusive, me perguntava porque as pessoas liam, kkkk. Tentei novamente com “O Segredo” e, abandonei o livro na metade, ô decepção. Concordo com a ideia de que o pensamento positivo ajuda, mas também acredito que precisamos nos esforçar. Só pensar e esperar sentada não adianta. Apesar disso, dei uma nova chance para essa área e, ultimamente, tenho encontrado uns livros bem bons. Gostei bastante de “A sutil arte de ligar o f*oda-se”, embora não tenha gostado muito de sua continuação. Também gostei bastante de “a grande magia”, da Elizabeth Gilbert e de Amor pelas coisas imperfeitas, de Hanim Sumin, se de repente você quiser se aventurar novamente nessa área no futuro, hehehe 😉

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  3. Eu leio bastante auto ajuda / desenvolvimento pessoal, acho que é necessário filtrar bem aquilo que é baboseira e aquilo que realmente tem sentido. Como mencionaram, “a sutil arte de ligar o f*oda-se” é um bem interessante. Haemin Sunim como autor também é bem interessante, “as coisas que você só vê quando desacelera” é um livro bem rápido de ler que passa uma mensagem bem gostosa sobre observar melhor as coisas da vida.

    Inclusive no momento estou lendo essencialismo, vem parecendo um bom livro de entrada para esse gênero, mas ainda não li inteiro.

    Ps: obrigado pela visitinha em meu blog

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    1. Com certeza devemos saber filtrar. Acho que ainda vou encontrar algum livro que me agrade… Inclusive, tenho vontade de ler alguns que você citou. Ouvi coisas muito boas de As coisas que Você Só Vê Quando Desacelera. Essencialismo também parece ser bem legal! E obrigada por ter devolvido a visita 😊

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