Persuasion, de Jane Austen

Histórias focadas em relacionamentos amorosos não são as minhas preferidas. Já foram, mas numa época em que eu ainda estava descobrindo meus gostos literários. 

Mesmo com um pé atrás quando o assunto é romance, quis dar uma chance aos livros da Jane Austen – afinal, viraram clássicos por algum motivo. Comecei logo por Orgulho e Preconceito, que mostrou ser cheio de reviravoltas protagonizados por personagens bem distintos e marcantes. 

Razão e Sentimento foi meu segundo livro de Austen, e dele eu me esqueci completamente. Lembro, no entanto, de não ter gostado tanto quanto de Orgulho e Preconceito, embora tenha sido realmente uma leitura agradável. 

Com Persuasion, percebi que estava trilhando um caminho sem volta; uma ladeira que me levaria a um livro, se não odiado, desgostado da autora. 

Fórmula austeniana 

A proposta de Persuasion é boa: acompanhamos Anne Elliot, a filha mais nova de Sir Walter Elliot. A jovem apaixona-se por Frederick Wentworth, mas sua família a convence de romper o relacionamento. Anos depois, Anne, com vinte e sete anos, reencontra Wentworth, que virou oficial da marinha. Ambos mudaram – a situação econômica da família Elliot começa a se deteriorar, enquanto Wentworth ganha seu merecido reconhecimento. 

Terminei a leitura com percepções mistas sobre a história. Ela não foge da fórmula austeniana, e em alguns momentos consegue ser muito parecida com Orgulho e Preconceito. Mas há algo de diferente nela, algo novo que só posso ligar à maturidade da própria Austen.

Persuasion foi o último livro da autora, escrito quando ela tinha quarenta anos. Dá para perceber as mudanças no desenvolvimento da trama, mas o que chama atenção é a construção da protagonista. Enquanto as irmãs Bennet são movidas pelas vontades do momento, Anne é mais contida e menos impulsiva; uma pessoa de visão analítica que coloca o discernimento à frente dos desejos quando necessário.

Lombada de Persuasion da edição da Arcturus Publishing

Sociedade de aparências

Anne, por ser uma personagem mais velha, demonstra um domínio maior sobre a forma como se mostra para a sociedade inglesa das aparências do século XIX. 

Mais uma vez, vemos em uma obra de Austen a crítica envolvendo a dinâmica social da época, dominada pela futilidade e pela preservação do caráter impecável das pessoas. 

Inclusive, Sir Elliot, pai de Anne, e Elizabeth Elliot, irmã de Anne, estão entre os personagens mais desagradáveis da história por se mostrarem mais preocupados em salvar o nome da família do desgosto da humilhação pública do que em prezar pela verdadeira felicidade da casa. 

Felizmente, Anne ganha uma segunda chance e não parece mais tão persuadida pelos familiares sobre seu próprio futuro. 

Ler ou não ler? 

O início é confuso e desinteressante, até porque somos apresentados a diversos personagens dentro de poucas páginas. Chega a ser chato porque aparecem nomes pouco cativantes e de personalidade fraca (Sir Elliot, principalmente). 

Conforme o livro vai se desenvolvendo, o enredo fica mais interessante. Cheguei à conclusão de que Persuasion demanda um pouco de paciência por parte do leitor. 

Não chega a ser a obra mais impressionante de Austen, mas deve agradar quem tem a escritora como um nome indispensável na estante, pois a linguagem ácida e satírica, considerada uma das características mais marcantes dos romances dela, está presente nessa história também.

There had been a time, when of all the large party now filling the drawing-room at Uppercross, they would have found it most difficult to cease to speak to one another. With the exception, perhaps, of Admiral and Mrs. Croft, who seemed particularly attached and happy (Anne could allow no other exceptions even among the married couples), there could have been no two hearts so open, no tastes so familiar, no feelings so in unison, no countenances so beloved. Now they were as strangers; nay, worse than strangers, for they could never become acquainted. It was a perpetual estrangement.

Avaliação: 3.5 de 5.

Publicado por Diana Cheng

Jornalista, 23 anos. Adora passar horas perdida na narrativa de um bom livro. Além de ler, também se arrisca em escrever textos aleatórios e poemas sentimentais.

4 comentários em “Persuasion, de Jane Austen

  1. Aaaa eu amo esse livro! Uma pena que você não tenha gostado tanto assim… Foi o primeiro livro dela que li, antes de Orgulho e Preconceito, acho que é até meu preferido kkkkk Mas é a autora que me acompanhou na adolescência! O que eu menos gosto é Mansfield Park, justamente porque a heroína é mais bobinha, digamos assim… E acredito que você acharia A abadia de Northanger divertido, é um dos mais bem humorados dela. Aaaa Lady Susan talvez te agrade porque traz uma perspectiva totalmente diferente dos outros romances e das outras protagonistas!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Acho que o primeiro livro sempre tem um carinho especial no coração da gente, né? hahahahaha Ouvi falar muito bem de A Abadia de Northanger! Acho que vou comprá-lo muito em breve. Tenho Emma para ler, mas ouvi dizer que a personagem é insuportável (medo).

      Curtido por 1 pessoa

      1. Simmm, tem sim! kkkkkk Eu gosto de Emma, mas ela é aquela personagem que você tem vontade de dizer “para de se meter tanto na vida alheia” kkkkkk Não sei se chega a ser insuportável, mas às vezes é bem sem noção hahaha

        Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie seu site com o WordPress.com
Comece agora
<span>%d</span> blogueiros gostam disto: