Mulheres que Correm com os Lobos: reavivando o Self instintivo

Vou confessar que estava assustada para começar Mulheres que Correm com os Lobos. Mesmo sendo um dos livros mais vendidos do momento, ele é classificado por muita gente como enriquecedor e igualmente denso.

O livro é isso mesmo, carregado, mas no sentido mais positivo. Cru e poético, Mulheres que Correm com os Lobos é um mergulho nas águas profundas da psiquê feminina. Ler essa obra, que foi fruto de muito trabalho, pesquisa e vivência pessoal da psicóloga junguiana Clarissa Pinkola Estés, nos faz voltar às origens para entender de que forma ocorreu o processo de domesticação da selvageria inata da mulher e como é possível recuperar parte da liberdade tomada, reprimida ou assassinada pelo comodismo.

O mais interessante é ver como Estés decidiu abordar temas centrais para o universo feminino, desde criatividade e carreira até sexualidade e amor. Destrinchando 19 histórias populares, Estés mostra como houve ao longo dos séculos esforços para limitar a natureza livre e instintiva da mulher.

Capítulo que analisa o conto sobre o Barba Azul

O livro abre com um dos contos mais famosos da literatura: o Barba Azul. Logo aqui, a mente aciona uma sirene de alerta para indicar as variações de perigo com as quais nos depararemos ao longo de Mulheres que Correm com os Lobos. Estés faz uma análise aprofundada de outros contos e mitos, como Patinho FeioVasalisaOs Sapatinhos Vermelhos e La Llorona, sempre com a ideia de que podemos tirar uma lição valiosa e nutritiva para nosso Self.

Estés também fala muito de morte, mas não no sentido literal. A morte, representada pela Mulher-Esqueleto e presente em A Donzela Sem Mãos, é parte do ciclo de renovação “vida-morte-vida”, o fim representativo da velha etapa para uma nova fase.

Trecho grifado de Mulheres que Correm com os Lobos

O livro é muito pessoal, pois cutuca o que dói, inflama a raiva acumulada e chama atenção para injustiças e perdas que as mulheres tiveram que enfrentar ao longo dos séculos. Por outro lado, Mulheres que Correm com os Lobos ensina e esclarece questões que parecem óbvias, mas precisam ser continuamente lembradas. Classifico minha experiência de leitura como um processo de autoconhecimento e, de certa maneira, de cura.

Trecho grifado de Mulheres que Correm com os Lobos

Mulheres que Correm com os Lobos despertou em mim a vontade de uivar novamente para tomar de volta meu senso crítico, minha criatividade e a direção do meu futuro. Volto a correr pela primeira vez em muito tempo. Por enquanto, não tenho hora para parar.

Apesar de tratar quase em sua totalidade da figura feminina, o conteúdo desse livro pode agregar valor a todo mundo. Leiam sem medo!

Publicado por Diana Cheng

Jornalista, 23 anos. Adora passar horas perdida na narrativa de um bom livro. Além de ler, também se arrisca em escrever textos aleatórios e poemas sentimentais.

10 comentários em “Mulheres que Correm com os Lobos: reavivando o Self instintivo

  1. Que maravilha, Diana! Vou participar de uma leitura conjunta do livro guiada por uma psicóloga a partir de janeiro. Sairá um post no meu blog nos próximos dias. Quem sabe você não participa das lives no Youtube conosco já que a leitura está fresca em seu coração?

    Curtido por 2 pessoas

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