O que não deu certo em Pessoas que Passam Pelos Sonhos

Até agora estou sem saber se comento sobre Pessoas que Passam Pelos Sonhos. Terminei o livro há um mês, mas achei que não tinha por que falar dele. O primeiro motivo é que ele saiu pela extinta Cosac Naify, o que torna mais difícil de achá-lo agora. A outra razão diz respeito ao meu gosto pessoal. Eu simplesmente não gostei.

Perguntei para uma amiga minha se valia a pena dar minha opinião e ela disse que sim, pois até mesmo as leituras ruins são válidas de ser compartilhadas. Concordei.

O livro não é mal escrito. Longe disso. Acho que o autor tem certo domínio com as palavras e soube trabalhá-las quando quis, embora peque pelas descrições em excesso só para enfeitar a narrativa. Algumas passagens são interessantes. Podem emocionar, nos fazer sentir, refletir… Seriam bem aproveitadas se o desenvolvimento do enredo não comprometesse todo o resto. Talvez funcionassem melhor para outras histórias.

Parte de trás do livro com trecho

Pessoas que Passam Pelos Sonhos é confuso. E não propositalmente confuso; o livro não tem uma estrutura que o sustente. A história trata do encontro de duas vidas distintas que se conectam quase que instantaneamente pela sensação de desgaste familiar.

O encontro entre o taxista argentino Tortoni e o arquiteto brasileiro Rivoli não poderia ser mais estranho. Basta uma corrida para que ambos acertem uma viagem à Patagônia. Entendo que cada um tem seus motivos para partir, mas a maneira como Cadão Volpato fez isso acontecer pareceu, no mínimo, forçado.

Achei que a viagem fosse me oferecer uma luz sobre a história, mas a intenção não é revelada – eu, pelo menos, não achei algo que justificasse o livro. Pessoas que Passam Pelos Sonhos só fica mais confuso com o vai e vem de personagens, que desaparecem e reaparecem sem explicações. Pode ser intencional para nos aproximar da atmosfera do sonho, mas teve o efeito contrário.

Pessoas que Passam Pelos Sonhos é dividido em três partes

O livro amadurece em tempo, e só isso. É possível notar que a história vai ganhando uma carga mais política passada a primeira parte, mas Volpato não se aprofunda no assunto, nem para retratar a ditadura na Argentina ou no Brasil.

Pessoas que Passam Pelos Sonhos deixa de lado as reviravoltas e os grandes acontecimentos. O ponto central da história, mesmo tendo as turbulências políticas da década de 60 como pano de fundo, não foge do cotidiano. Assim fica difícil entender o propósito desse livro. Talvez Volpato não quisesse nada ao escrever a história, o que não vejo como um problema. Mas pode ser também que ele tenha pensado muito na mensagem que queria entregar e falhado na tarefa.

Publicado por Diana Cheng

Jornalista, 23 anos. Adora passar horas perdida na narrativa de um bom livro. Além de ler, também se arrisca em escrever textos aleatórios e poemas sentimentais.

2 comentários em “O que não deu certo em Pessoas que Passam Pelos Sonhos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie seu site com o WordPress.com
Comece agora
<span>%d</span> blogueiros gostam disto: