Lendo e-books: Frida, The Memory Police e mais

Há anos adotei o e-book na minha rotina de leituras, mas ultimamente deixei esse formato de lado e priorizei o livro físico. Li um livro digital e outro em 2020 – nada que tivesse me prendido a atenção. Porém, nos últimos meses, minha vontade de ler e-books voltou, e preciso dizer que tenho encontrado livros maravilhosos.

Nunca falei de um e-book que li por aqui porque fico sem saber como tirar as fotos (sou o tipo de pessoa que precisa deixar tudo padronizado). A melhor forma que encontrei de não deixar as leituras passarem batido é juntá-las em uma publicação única e – adivinhem – padrão. Não sei qual vai ser a periodicidade disso; devo juntar leituras até achar que está bom o suficiente para publicar.

Trouxe desta vez os últimos quatro livros lidos no formato digital. Um deles foi o que me motivou a compartilhar minhas leituras em e-books:

1. Por Que Eu Não Converso Mais com Pessoas Brancas sobre Raça, de Reni Eddo-Lodge

Li este livro de não-ficção faz alguns meses. Cogitei trazer uma resenha sobre ele, mas desisti pela falta de foto.

Fiquei imensamente feliz de ter conseguido adicionar essa leitura no Kindle, primeiro porque foi de graça e segundo que vem de um gênero literário ainda pouco explorado de minha parte.

Não sei nem como explicar o impacto que o livro da Reni Eddo-Lodge teve sobre mim. É uma obra que dará enfoque ao racismo estrutural no Reino Unido (de onde a autora é), com menções e exemplos também dos Estados Unidos. Apesar da diferença geográfica, todas as questões abordadas pela autora podem ser debatidas no Brasil também.

Reni não faz rodeios; é direta ao dizer que falar com pessoas brancas sobre raça é importante, mas não uma obrigação que pessoas de cor precisam tomar para si. Reni fala sobre desentendimentos, más interpretações e o processo demorado e “custoso” a pessoas brancas para enxergar que estão em uma posição de privilégio pela cor e, em grande parte dos casos, classe social.

Reni também levanta a questão da imigração, o que só deixou a leitura mais interessante e enriquecedora. Esse livro foi com certeza um dos meus favoritos de 2020.

2. Identidade, de Nella Larsen

Achei a sinopse de Identidade bem interessante, mas foi a capa que me chamou a atenção (adoro colagens!). Os elementos visuais são fiéis à atmosfera do livro, e mesmo assim não dizem muito sobre a proposta central da história.

Gostei de conhecer Nella Larsen. Sinceramente, nunca tinha ouvido falar dela. Fui descobrir só agora que sua contribuição na literatura é antiga e marcante.

Em Identidade, a autora também vai abordar o racismo estrutural, mas sob uma perspectiva diferente. O debate sobre colorismo é bem forte, embora outros temas, como diferenças de classe social e gênero estejam enraizadas na história também.

Apesar da importância dos temas tratados, ainda tão atuais e discrepantes, o desenvolvimento da história é fraco. A meu ver, a autora poderia ter esticado mais o livro, trabalhando no background da amizade de Irene e Clare. Sendo tão curto, Identidade não me prendeu nem me deixou interessada em acompanhar o destino das amigas.

3. Frida – a biografia, de Hayden Herrera

Nunca me interessei pelas obras da Frida Kahlo, mas sempre achei que sua história de vida fosse tão interessante que ler sua biografia seria uma experiência única. E foi mesmo.

Frida foi tudo o que imaginei: amante da arte, da vida e da morte. Já imaginava que seu acidente tivesse gerado um trauma duradouro (basta ver as suas obras), até porque as cicatrizes e as consequências nunca foram embora. E mesmo assim ela viveu uma vida cheia de acontecimentos – muitos conturbados, pode-se dizer.

A biografia de Frida faz uma interpretação aprofundada de sua arte. Mesmo assim, o livro é bem equilibrado e dá para conhecer um pouco do gênio dela, suas ambições e posição política, além da devoção a Diego Rivera.

4. The Memory Police, de Yoko Ogawa

Pense em um livro bastante comentado. The Memory Police ainda não chegou ao Brasil, mas foi recomendado na gringa. Comecei a ler sem saber muito sobre a história e me deparei com uma distopia – gênero literário de que gosto e posso tirar várias reflexões no fim.

Acho que a maior cartada desse livro é seu tema principal: memórias. Não vou dizer que a maneira como Yoko Ogawa desenvolve a narrativa é original, mas tratar a memória como nossa identidade, uma extensão de nós mesmos e do papel que desempenhamos no planeta torna toda a experiência de leitura um aprendizado e um lembrete para valorizarmos nossas lembranças, por mais banais que possam ser.

Os momentos finais de The Memory Police são bizarros demais para tirar algum significado deles. Foi o que me impediu de dar uma nota maior para o livro, mas ainda o recomendo.

Publicado por Diana Cheng

Jornalista, 23 anos. Adora passar horas perdida na narrativa de um bom livro. Além de ler, também se arrisca em escrever textos aleatórios e poemas sentimentais.

2 comentários em “Lendo e-books: Frida, The Memory Police e mais

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