Emma, de Jane Austen

Emma é um dos maiores livros escritos pela Jane Austen – deve estar par a par com Mansfield Park –, o que explica por que eu o deixei esfriando na estante por uns meses até encontrar coragem para lê-lo.

Ele é favorito de muita gente, mas também divide opiniões por ter uma personagem complicada. Foi o que mais pesou para mim, que já estava esperando pelo pior depois da leitura de Persuasion.

Agora que finalizei o livro e fiz uma lista mental de prós e contras, posso dizer que Emma é tudo aquilo que eu pensei que seria, mas muito mais em certos aspectos. Fazer esta leitura foi como reencontrar uma versão diferente e ao mesmo tempo familiar de Austen.

Críticas

Há sempre uma característica que procuro encontrar nos romances de Austen, pois acho que é uma das marcas registradas da escritora. Muito à frente do seu tempo, Austen soube usar o bom humor (acompanhado da acidez familiar) para dizer o que a incomodava na sociedade inglesa do século XIX.

A linguagem ácida que tanto defendo nas obras da autora está ainda mais marcante em Emma, pois segue toda a história do livro. No decorrer da leitura, é possível notar a superficialidade de algumas conversas e a frequência de erros e desentendimentos criados com base em opiniões preconcebidas sobre alguém só pela origem desconhecida ou posição social.

Lombada de Emma da edição da Arcturus Publishing

Emma, a vilã?

Não tem como falar do livro sem falar dela, a Emma. Totalmente à mercê da influência de quem já tinha lido a obra, eu estava preparada para encontrar uma personagem insuportável, que olhasse apenas para seu próprio umbigo.

Emma Woodhouse tem suas falhas, é verdade. Mimada, sempre teve todos os recursos financeiros para se apresentar de forma “respeitável” na alta sociedade. É também bem intrometida na vida das pessoas, tendo adotado Harriet Smith como seu projeto de caridade e se servido de cupido para encontrar um pretendente à amiga. No entanto, sua obstinação em não se casar me deixou admirada. Ela simplesmente foge do senso comum.

Austen construiu uma personagem forte em suas convicções. Muitas delas começam de maneira desastrosa, mas o que se deve levar de mais importante é que Emma aprende com os enganos. Demora? Sim. Dá raiva? Também. Para acertar, Emma precisa errar algumas (muitas) vezes.

Até mesmo nos momentos finais do livro vemos um resquício de egoísmo por ela querer a felicidade para si, o que a faz tomar mais decisões erradas sob a justificativa de evitar ser o motivo da tristeza alheia. Mas isso não faz dela uma vilã. Afinal, quem não quer ser feliz?

Emma é uma personagem a ser lapidada. Seus erros são o ponto de partida do livro, uma vez que levam à correção de todos os desentendimentos da história e ao amadurecimento do caráter. Ela é muito real, o que explica por que tantas pessoas cismam com ela (ao mesmo tempo que se reconhecem nela).

Ler ou não ler?

Dizer que achei o livro maravilhoso é querer puxar demais. Emma é uma obra grande para os padrões de Austen. Isso não seria um problema se todo o conteúdo agregasse à história, o que não aconteceu neste caso.

Acredito que Austen poderia ter sido mais sucinta. Alguns diálogos me pareceram desnecessários – não pelo teor da conversa, apenas porque não fazem muita falta.

Por outro lado, Emma diverte e surpreende. O início não é tão confuso como em Persuasion, o que já considero uma vitória.

Vale a pena conhecer o livro. Apesar de não ter o ritmo fácil de Orgulho e PreconceitoEmma não é o bicho-papão que eu imaginava.

“I have none of the usual inducements of women to marry. Were I to fall in love, indeed, it would be a different thing! but I never have been in love; it is not my way, or my nature; and I do not think I ever shall.”

Avaliação: 3.5 de 5.

Publicado por Diana Cheng

Jornalista, 23 anos. Adora passar horas perdida na narrativa de um bom livro. Além de ler, também se arrisca em escrever textos aleatórios e poemas sentimentais.

2 comentários em “Emma, de Jane Austen

  1. Eu gosto de Emma e concordo com tudo que você falou! Acho que apesar de mimada, ela é justamente uma personagem em amadurecimento, descobrindo como lidar com a vida, principalmente entendendo os seus privilégios. Mas também tive agonia com algumas situações e a infantilidade dela kkkkk Não é meu livro preferido mas ainda prefiro ele a Mansfield Park (o final, especificamente, acho bem sem graça). O mais divertido pra mim é A Abadia de Northanger!!!

    Curtido por 1 pessoa

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