Minhas melhores leituras do ano (até agora)

Não vou nem tentar comentar sobre todos os livros que li durante essa pausa nada breve, porque… Bem, acho que perderia um pedacinho da minha sanidade mental. 2021 está sendo um ano de poucas leituras em comparação com 2020, mas minha lista já acumula mais de 30 livros lidos.

Decidi então separar as melhores leituras que fiz neste período. Confesso que os quatro livros que selecionei me deixam com um misto de sentimentos contraditórios. São histórias incríveis e recomendo cada uma delas. No entanto, nenhuma foi cinco estrelas.

Há tempos me falta um livro que me deixe realmente animada. Estaria eu mais exigente ou passando por um descasamento com a literatura? De qualquer maneira, nenhuma das duas opções me conforta, e estou torcendo para virar o jogo até o fim do ano.

Enquanto não me aparece o livro, vamos conversar sobre aqueles que deram as caras por aqui e acrescentaram aprendizados valiosos na minha vida (um em especial fez o contrário: tirou algo de mim):

1. Nix, de Nathan Hill

Minha intenção era fazer um diário de leitura desse livro. Estou arrependida de ter deixado passar, pois teria muita coisa legal para comentar sobre ele. Li no início do ano, então pode ser que os acontecimentos não estejam bem alinhados em minha cabeça. Mas tudo bem, pois Nix é uma salada mista de linhas temporais e diferentes tipos de narrativa.

Não se intimide pelo tamanho do livro. Ele é grande, mas a história é boa demais para te deixar cansado com a infinidade de páginas. Elas passam, e passam rápido.

Posso descrever Nix como um drama familiar, mas resumi-lo a isso seria deixar de lado todas as pessoas, os traumas e as paixões da vida de Samuel Anderson, o protagonista.

Acho intrigante como livros semelhantes a Nix parecem mundanos demais e ainda assim nos cativam. Nix me fez pensar que até a história de vida mais simples é complexa e intrincada como um vitral bem trabalhado.

2. Born a Crime, de Trevor Noah

Trecho marcado de Born a Crime

Acho que já devo ter falado por aqui que não sou muito próxima a livros de não ficção. Da mesma forma que algumas pessoas têm dificuldade de imergir em mundos inexistentes (ou mágicos, como preferir), o problema da não ficção para mim está na característica de parecer muito monótona.

Born a Crime quebrou todas as barreiras que ainda existiam entre os livros de memórias e eu.

Achei engraçado (como já era de se esperar de um livro escrito por um comediante), mas comovente. Achei potente também. É curioso como achamos que conseguimos resumir algo tão complexo e cheio de complicações como o Apartheid. O Apartheid não termina logo na primeira frase. O Apartheid é carregado por anos, décadas, vidas inteiras. Basta ver como a segregação racial fez parte da infância do autor, que, felizmente, mantém vivo o debate sobre os reflexos do regime na África do Sul e no mundo.

Entendo agora por que Born a Crime conseguiu criar o burburinho que criou quando chegou no Brasil pela TAG Livros.

3. Pachinko

Capa de Pachinko com blurbs

Pachinko é exatamente o tipo de história que você acha que vai encontrar em um livro bom. Bem escrita e estruturada, a história acompanha gerações de uma família coreana que se vê refém da violência e do preconceito da dominação japonesa no início dos anos 1900.

Pachinko é um livro belo demais para ser resumido em poucas palavras. Ele vai falar de coisas boas, como amor, companheirismo e identidade, mas carrega a mancha do contexto histórico de guerra e opressão do século passado no Leste Asiático.

Como eu, você vai se encantar pelos personagens trabalhados por Min Jin Lee. O que não faltou foi desafio para o imigrante coreano da época, que saiu de um país irreconhecível pela dominação para outro ainda mais estranho, onde a discriminação e a exclusão nem eram disfarçadas.

4. Herdeiras do Mar

Herdeiras do Mar me quebrou. Quando penso em toda a raiva e tristeza que passei lendo este livro, fico até com um pé atrás para recomendá-lo. Mas recomendo, pois é uma história importante. É um lembrete de um passado sujo. É pela memória de todas as mulheres, adolescentes e crianças (sim, crianças) levadas pelos soldados japoneses para servirem de “damas de conforto” durante a dominação japonesa em países da Ásia – neste caso, a Coreia do Sul.

O livro peca um pouco no drama. No entanto, consegue arrancar facilmente uma reação do leitor. Você vai sentir horror, asco, indignação. Medo, vergonha. Mas esperança também por um desfecho feliz – ou, se não feliz, algo próximo a isso, na medida do possível.

Publicado por Diana Cheng

Jornalista, 24 anos. Adora passar horas perdida na narrativa de um bom livro. Além de ler, também se arrisca em escrever textos aleatórios e poemas sentimentais.

7 comentários em “Minhas melhores leituras do ano (até agora)

  1. Compartilho do mesmo sentimento de tristeza por ter lido menos este ano. E falando sobre leituras que animam, eu sugeriria os romances da Ágatha Christie, conhece?

    Curtido por 1 pessoa

  2. Ainda não tinha parado para pensar qual foi minha melhor leitura do ano, mas foi um livro brasileiro. Fiquei surpresa pois leio mais autores internacionais e ainda por cima foi de contos que agora passei a apreciar mais, para piorar tem como pano de fundo o período da ditadura e não leio tanta coisa relacionado a política. Fica a sugestão Você vai voltar pra mim e outros contos de Bernardo Kucinski.
    Preciso fazer a resenha ainda, mas o livro é incrível, alguns contos são muito dolorosos outros são mais leves, a escrita é direta, mas a narrativa tem camadas de entendimento…

    Curtido por 1 pessoa

    1. Vou procurar, com certeza! Adoro livros que falam sobre acontecimentos históricos. Já li algumas coisas que se passam na época da ditadura, mas sempre acho que tem mais coisa para absorver. Valeu mesmo pela dica!

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